Compreenda melhor o seu filho: Elimine os obstáculos à comunicação
Muitas das palavras e ações que expressamos junto das crianças no sentido de lhes mostrarmos o nosso ponto de vista, opinião ou ajuda, podem ter um efeito aversivo, gerando-lhes irritabilidade ou mal entendidos. Em dois artigos anteriores podemos verificar as 3 armadilhas na comunicação como o seu filho e regras a não esquecer. Em seguida, apresento alguns obstáculos que usualmente atrapalham a comunicação com a criança, prejudicando a compreensão da mensagem que lhes queremos transmitir:
DAR CONSELHOS ABRASIVOS E NÃO SOLICITADOS
“Se não fosse tão descuidado, você não teria esse problema.”
No primeiro exemplo, salta-se para o resultado ou solução pronta, sem qualquer indicação ou orientação. Ao não questionar ou tentar perceber algumas das razões porque a criança está a ter dificuldade ou eventualmente recusa na execução de algo, invade de forma brusca, autoritária e abrasiva a auto-estima e auto-confiança da criança. No segundo exemplo, Critica-se de forma cortante o auto-conceito da criança. Ao personalizar a mensagem, retirou-se da possibilidade de orientar o discurso face ao comportamento, o que automaticamente impede de poder contribuir para uma possível aprendizagem por parte da criança. Ao invés, transmitiu uma mensagem de incapacidade, de diminuição do eu da criança.
VERBALIZAR OS SEUS SENTIMENTOS, AO INVÉS DAS AÇÕES DA CRIANÇA
“Eu não consigo entender porque você faz sempre isso.”
“Fico com raiva quando você simplesmente não parece se importar.”
São tudo exemplos de verbalizações que fogem ao cerne da questão no que se refere à educação e desenvolvimento da criança. Quando remetemos o discurso para os sentimentos pessoais acerca do resultado dos comportamentos da criança, afastamo-nos do objetivo principal (transmitir mensagens claras, sucintas, objetivas e de suporte). Este afastamento confunde a criança, inibe-lhe a compreensão dos seus atos, obrigando a que ela se foque no seu valor (neste caso de avaliação negativa) e ainda com a agravante de perceber que isso faz o adulto sentir-se mal. O sentimento de culpa por parte da criança passa a ser muito vincado, prejudicando-a.
DESVALORIZAR A DOR OU PROBLEMA DA CRIANÇA
“As outras famílias também têm os seus problemas”
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