segunda-feira, 24 de outubro de 2011

depressão

Depressão: Será um erro de raciocínio?

Posted: 24 Oct 2011 07:39 AM PDT

Uma das mais divulgadas estratégias para lidar com a depressão é o uso da classe de medicamentos conhecidos como SSRIs. Para muitas pessoas, Prozac, Paxil, Zoloft, e fármacos do género têm sido incrivelmente prescritas (não necessariamente eficazes) para lidar com a depressão. Diante disso, eu enquanto psicólogo o que posso ter para dizer sobre a depressão? Digo taxativamente que existem outros recursos e abordagens que podem ser extremamente úteis para lidar e promover a superação da depressão, mesmo que seja em conjunto com o tratamento farmacológico. Em artigos anteriores, levantei a questão se a depressão pode ser considerada uma doença de cariz meramente biológico, abordei também a questão da eficácia ou não dos antidepressivos, e dei a conhecer os benefícios do exercício físico no tratamento da depressão.

ERROS DE RACIOCÍNIO, A BASE DE CONSTRUÇÃO DA TERAPIA PARA A DEPRESSÃO

De acordo com alguns dos pressupostos apresentados nos artigos acima, aponto para a utilidade de um conjunto de estratégias eficazes para o tratamento da depressão, e igualmente um enquadramento da implicação dos vários erros de raciocínio como gatilhos que contribuem para a depressão. E, que a partir da identificação dos erros de raciocínio e consequente reestruturação do pensamento e crenças, a pessoa afetada pela depressão pode aprender a perceber os motivos da sua paralisia da vontade, falta de energia e ausência de prazer na grande maioria das coisas na sua vida. É na verdade, a construção do processo atrás descrito que pode constituir grande parte do programa de tratamento para a depressão, através da abordagem psicológica, fundamentada na terapia cognitiva-comportamental.

Não pretendo passar a mensagem que os erros de raciocínio ou as distorções cognitivas são a causa da depressão, ou que a pessoa deprimida deve ser censurada pela forma como pensa, mas sim que o tipo de pensamento que é característico de alguém que sofre de depressão, às vezes deve-se a um erro de raciocínio. Tal pensamento pode perpetuar a depressão. Na terapia cognitiva-comportamental, a pessoa pode vir a reconhecer esses padrões de pensamento ilógico. Então, através de uma variedade de meios, a pessoa que sofre de depressão pode começar a mudar esses padrões de pensamento desajustado e desadequado. Todos nós podemos cair nesses padrões de pensamento às vezes, mas a pessoa deprimida, passa grande parte do tempo nesse padrão mental e generaliza para quase todas as áreas da sua vida.

Dica técnica: O pensamento da pessoa deprimida emerge do erro de raciocínio. Eu acredito fortemente que uma pessoa para se recuperar totalmente da depressão, terá de enfrentar os processos de pensamento negativo, desajustado e ilógico que foi forjando e interligando à medida que o seu problema foi crescendo. Compreender as falácias (falsas verdades) presentes no pensamento deprimido pode ser útil para a pessoa lidar com a depressão, e igualmente para aqueles que estão a cuidar de uma pessoa que sofre de depressão. E isto é tremendamente esperançador!

depressão

QUE TIPO DE PADRÕES DE PENSAMENTO ILÓGICO ESTÃO PRESENTES NO PENSAMENTO DA PESSOA QUE SOFRE DE DEPRESSÃO?

No artigo: Distorções do pensamento, saiba porque causam problemas e como as mudar, apresento resumidamente e de forma generalista alguns dos erros de raciocínio característicos de pessoas que sofrem de problemas psicológicos. A seguir, apresento de forma mais detalhada os padrões de pensamento negativo (erros de raciocínio) que empurram a pessoa para a exacerbação da sua depressão e consequente barreira a uma efetiva recuperação:

Pensamento polarizado ou de tudo ou nada: Aqui, tendemos a olhar o mundo por uma perspetiva a preto e branco, não existindo meio termo. Por exemplo, alguém pode acreditar em algo do género: “Ou eu sou um sucesso total, ou eu sou um fracasso total.” A pessoa de sucesso pode não conseguir ser promovida, e então acho que por isso ela é um completo fracasso. No entanto, esse tipo de pensamento comete uma falácia lógica, a falácia do falso dilema. Ao cometer esta falácia, uma pessoa está assumindo que só existem duas opções, quando na verdade existem múltiplas possibilidades. Assim, no exemplo da promoção, ao invés de se ver a si mesmo como um fracasso, a pessoa poderia ver-se como alguém que é bem sucedido, mas que sofreu um revés profissional, ou um adiamento na sua promoção.

Desvalorizar o que é positivo: Considere uma esposa deprimida que acha que ninguém gosta dela. Ela discute isso com o seu companheiro, e este diz “Eu gosto de você, e assim como os seus pais e os nossos cinco vizinhos e os amigos do seu trabalho. ” Esta é uma evidência de que a crença desta esposa é falsa, mas a pessoa deprimida frequentemente persiste neste pensamento, crendo que os outros realmente não gostam dela, ou se gostam dela, é porque têm que gostar, ou algo do género. Este tipo de pensamento é um exemplo de uma falsa verdade, que mais não passa de uma percepção ilusória construída pela própria pessoa. Essa falácia (falsa verdade) ocorre quando se negligenciam ou ignoram, ou injustificadamente não se leva em consideração os elementos de prova que suportam uma conclusão diferente daquilo em que se acredita.

Raciocínio emocional: Verifica-se, sempre que acreditamos que os nossos sentimentos negativos sobre algo refletem a realidade, quando na verdade isso não acontece. Por exemplo, quando alguém sente que não tem nada de bom para oferecer às outras pessoas, quando na verdade, de fato não é o caso. Os sentimentos são poderosos, e por isso são importantes, e por vezes podem refletir a realidade. Mas, quando esses sentimentos não refletem a realidade e acreditamos que de alguma forma isso acontece, cometemos a falácia da evidência insuficiente. Essa falácia ocorre quando acreditamos numa determinada conclusão, embora não existam provas suficientes para justificar essa crença.

Afirmações do tipo “deveria”: O pensamento da pessoa deprimida muitas vezes inclui estes tipos de afirmações: “Eu nunca deveria sentir-me zangado com os meus filhos” ou “Eu deveria fazer exercício três vezes por semana”. Este tipo de auto-diálogo pode ser prejudicial e desmotivador, e pode de forma proveitosa ser substituído por declarações do tipo: “Vou organizar-me para começar a fazer exercício três vezes por semana”, ou “Vou começar a ser mais paciente com os meus filhos.” Às vezes, as afirmações do tipo “deveria“ suportam a falácia do falso dilema: “Eu deveria fazer exercício três vezes esta semana ou então eu sou um inútil e indisciplinado.” Este é um duplo erro de raciocínio, que comporta em si afirmações de incapacidade e auto depreciativas.

Este tipo de afirmações refletem a falácia da premissa inaceitável, que ocorre quando alguém aceita uma premissa em que não existe nenhuma evidência que a justifique, a pessoa deprimida assume para si uma verdade, só porque acha que assim deveria ser. Por exemplo, uma pessoa deprimida pode pensar que “Qualquer pessoa que se sente irritado com os filhos é um pai muito ruim e deve sentir-se muito culpado. Então, quando eu às vezes sinto irritabilidade com os meus filhos, eu sou um pai muito ruim e devo sentir-me muito culpado.” A premissa injustificada e irrealista é que qualquer pessoa que se sente irritado com os seus filhos é um pai muito ruim e deve sentir-se muito culpado. Não pretendo com esta explicação desculpar a raiva ou menosprezar o amor paciente, mas quero salientar que os sentimentos de raiva às vezes são adequados, e mesmo quando não são, isso não quer dizer que um pai é ruim apenas por ter tais sentimentos.

Generalização: A Pessoa associa a um único evento (normalmente de fracasso ou perda) como sendo um sinal de um padrão interminável de insucesso. A pessoa assume que a ocorrência de um evento decepcionante fará com que todos os eventos futuros também sejam decepcionantes. O evento pode ter a ver com trabalho, sucesso académico, sucesso esportivo, ou uma relação, mas este tipo de pensamento é um exemplo da falácia da generalização apressada. Isso ocorre quando tiramos uma conclusão precipitada sobre algo, baseado na evidência de um pequeno acontecimento, por vezes secundário.

Filtragem mental: Isso ocorre quando uma pessoa concentra-se obsessivamente num detalhe negativo, resultando numa visão sombria da realidade. A pessoa concentra-se nesse detalhe negativo e filtra tudo o resto (normalmente o que é positivo). Ela pode concentrar-se numa falha de caráter, uma parte da sua aparência física que não gosta, ou na pintura lascada no seu carro novo, mas seja qual for a especificidade, a sua mente foca-se sobre o assunto negativo e exclui as muitas coisas boas que estão presentes. Este é um exemplo da falácia da evidência suprimida. Essa falácia ocorre quando se negligenciam ou ignoram os elementos de prova que suportam uma conclusão diferente daquilo que nós acreditamos.

Tirar conclusões precipitadas: Nesta distorção cognitiva, um indivíduo interpreta negativamente certos fatos, e chegando a uma conclusão negativa injustificada com base nessa interpretação. Existem dois tipos principais desta distorção. A primeira é a leitura da mente, ocorre quando uma pessoa conclui que os outros pensam negativamente sobre ela sem provas suficientes. Um exemplo disso é quando o marido interpreta o comportamento da sua esposa, como ela estando irritada ou decepcionada com base em alguns indícios ténues ou insuficientes. O segundo, é a cartomancia, ocorre quando um indivíduo conclui que as coisas não vão dar certo no futuro, quando as evidências para isso não estão presente ou são inapropriadas. Por exemplo, um estudante prevê que não vai entrar na faculdade porque ele “tem um mau pressentimento” sobre isso. Este tipo de pensamentos “mágicos” podem muitas vezes ser uma forma da falácia de insuficiência de provas, que ocorre quando acreditamos numa determinada conclusão, embora não haja provas suficientes para justificar essa crença.

Ampliação ou Minimização: Aqui, a pessoa é incapaz de ver as coisas de uma perspectiva adequada. Ela pode ampliar os seus próprios contratempos ou falhas, minimizando as suas conquistas. Todos nós podemos emaranhar-nos em tal pensamento, mas a pessoa deprimida exacerba os seus sentimentos de depressão de tal maneira que olha para o mundo de forma distorcida e penalizante. Este tipo de pensamento comete a falácia da premissa inaceitável. A pessoa emaranha-se em tais pensamentos e tira conclusões que não são garantidos pelos fatos. Por exemplo, “Quebrar a minha dieta faz de mim um fracassado”, não é uma crença apoiada por evidências fatuais, mas pode parecer assim para a pessoa deprimida.

Rotulagem: Nessas situações, uma pessoa, atribui erradamente traços negativos para si mesmo através de linguagem emocionalmente carregada e depreciativa. Por exemplo, se a pessoa não conseguiu uma promoção no trabalho, diz a si mesmo: ”Eu sou um perdedor”. Esses rótulos, desadequados também podem ser aplicados a outras áreas. Um homem que tem alguns desentendimentos menores com sua esposa, pode rotular-se como “egoísta” ou algo pior. Tal pensamento comete a falácia da insuficiência de provas, como na grande maioria dos erros de raciocínio, a pessoa está tirando conclusões precipitadas que irão denegrir a sua imagem, destruir a auto estima e minar a auto confiança, e o pior de tudo é que nada é apoiado pelas evidências.

Personalização: Isso ocorre quando a pessoa toma para si mesmo como sendo a causa primária ou exclusiva de algum evento, mas que os fatos apontam como não sendo verdade. Por exemplo: a criança pode estar agindo de forma inadequada na creche ou na escola, e os pais podem ser preenchidos com sentimentos de culpa ou inadequação. Poderia haver uma variedade de razões para tal comportamento e que podia não passar por uma falha dos pais. É importante reconhecer as nossas limitações e até que ponto somos ou não responsáveis pelo comportamento dos outros, até mesmo dos nossos próprios filhos. Quando nós pensamos dessa maneira, podemos estar a cometer a falácia de causa falsa. Isso acontece quando acreditamos que há uma conexão causal entre dois eventos quando nenhuma conexão existe.

CONCLUINDO

Não pretendi com este artigo abordar a questão das causas da depressão, mas sim alertar a pessoa que pretende melhorar o seu estado deprimido, de que existe uma forte relação entre a condição em que se encontra e provavelmente alguns erros de raciocínio que comente. E que se isso se verifica, a reestruturação de pensamentos inadequados e de crenças disfuncionais deverão fazer parte integrante de um programa eficaz de tratamento para a depressão.

Dica: Se a pessoa deprimida conseguir reconhecer e corrigir alguns dos seus padrões de pensamento ilógico (erros de raciocínio), terá dado um passo importantíssimo na direção de uma vida melhor e mais satisfatória.

sábado, 1 de outubro de 2011

faça uma lista dos seus objetivos

Faça uma lista dos seus objetivos de vida e mantenha os olhos na recompensa


Nunca hesite em sentar-se consigo próprio e fazer uma lista acerca daquilo que pretende para a sua vida. todos nós necessitamos de ter uma perspectiva temporal de futuro. Quanto mais coisas conseguir escrever, mas facilmente conseguirá perspectivar o seu futuro. Infelizmente parece haver uma relutância ou espécie de mito sobre o facto de fazer uma lista ou um registo de objetivos ser demasiado trivial. Eu não concordo, acredito ser uma estratégia muito enriquecedora. Na verdade achamos mais lógico e de valor fazer uma lista de compras, dos gastos do mês ou do que é necessário para um picnic do que propriamente para a nossa vida em geral. Mas não será a nossa vida mais importante que um picnic?

LISTE AS SUAS METAS, SONHOS E OBJETIVOS DE VIDA

A lista tem o poder de tornar as coisas vivas e explicitas.

Pode começar por um simples exercício para ganhar o hábito de colocar as coisas significativas da sua vida em registo:

Se tiver uma lista daquilo que pretende fazer ou obter na sua vida, certamente não se perderá nos corredores da incerteza. Já experimentou ir a um Shopping Center sem uma lista de compras? Se esqueceu a lista, certamente levará mais tempo a efectuar as compras e acabará por comprar coisas que não necessitava e esquecer-se-á de outras que lhe farão falta. Na nossa vida também poderemos ter alguns dissabores se não tivermos bem presente o que pretendemos e o que deveremos fazer para atingir os resultados desejados.

Avancemos então para algo mais concreto:

Os objectivos e metas ganham força quando você os escreve, ficando mais poderosos de cada vez que os reescreve ou acrescenta algo que beneficia a obtenção dos mesmos. Quando listamos os nossos objetivos, estamos a escrever a nossa história antes dela acontecer. Escreva o seu próprio guião de vida. Em seguida torne-se no seu realizador e produtor. Se algumas coisas não acontecerem como desejava, reescreva novamente o guião, e faça mais um “take” na sua vida. Faça quantos “takes” forem necessários até que o produto final fique como deseja. Nós temos o poder de desejar e de realizar os nossos sonhos, quanto melhor os definirmos, melhor preparados estaremos para os realizar.

Dica: Liste, realize e produza as suas metas e objectivos.

objetivos

MANTENHA OS OLHOS NA RECOMPENSA

Em determinada altura ou em determinadas áreas das nossas vidas nós não utilizamos o poder de foco. A grande maioria de nós não se foca devidamente no objetivo. Sentimos muitas vezes uma espécie de caos interno, quase como se tivéssemos apanhado um choque elétrico, porque repetidamente tentamos pensar em demasiadas coisas ao mesmo tempo. Existem demasiadas coisas a passarem-nos pela cabeça. O poder de foco é uma arma poderosa apontada à nossa meta. Aquilo em que nos concentramos expande-se, seja bom ou mau, positivo ou negativo. A capacidade que temos de mobilizar e energia e recursos face ao que prestamos atenção é enorme. No entanto fazer duas tarefas exigentes ao mesmo tempo, é por certo difícil, e sobretudo não muito eficaz. Para realmente efectuarmos algo como o máximo de perícia e dedicação é necessário direccionarmos toda a nossa atenção para a tarefa, pensamento ou comportamento em que queremos ser bem sucedidos.

Perdemos o foco no objetivo, porque por vezes pensamos nas muitas possibilidades negativas. Distraímo-nos pelas nossas preocupações e medos, inibimo-nos face à perspectiva de fracasso. O fracasso é uma opção, mas o medo não. O acto de falhar ou não conseguir fazer algo de forma eficaz, diz-nos que nos propusemos a fazer e/ou tentar algo, em vez de apenas ficarmos sentados na nossa zona de conforto. Devemos abandonar o medo de fracassar. Foque-se no seu objetivo e dê a si mesmo a possibilidade de falhar, com isto em mente você não irá distrair-se com os pensamentos de incapacidade, de impotência, com as auto-sabotagens.

O EXEMPLO ESPORTIVO

Correr uma maratona é um teste de resistência. O corpo irá resistir quando o cansaço se instala, e o esforço de continuar a correr torna-se doloroso. Este é o momento em que a mente do atleta necessita ser forte, dado que o corpo começa a enviar estímulos de dor para o cérebro. Podem começar a surgir igualmente impulsos para abrandar o ritmo, ou eventualmente para parar. A mente começa a gritar: ” Já Chega.” Se sua mente não é forte, vai ser superada pelos gritos de dor do corpo. Nesta fase da corrida há uma coisa principal que irá dar à sua mente a força para resistir a essa vontade de desistir e parar.

Que coisa é essa? A recompensa, o seu prémio.

Nunca perca de vista a recompensa. Qual é a sua recompensa? O seu objectivo, sonho, meta é a sua recompensa. A sua recompensa de uma forma geral é alcançar o seu propósito de vida, é tirar gozo das coisas que faz e às quais se propõe a alcançar. Ao focar-se no desafio, meta ou objectivo de forma exclusiva, irá permitir fazer aquilo que quer, quando quiser, com quem quiser.

Para refletir: Qual é a recompensa que faz você correr a sua maratona (metaforicamente falando)?

estrutura mental posistiva

Estrutura mental positiva: O elixir da felicidade


Atendendo que a felicidade é um sentimento amplo que se suporta noutros sentimentos, este é sempre um tema em que pode pecar-se por reducionismos ou associações pobres que podem gerar explicações simplistas. Levando ainda em consideração que a “felicidade” é uma construção pessoal e individual, tentarei abordar a questão através daquilo que a suporta em todos nós: o nosso corpo, e mais especificamente, o cérebro.

Se você quer ser feliz o resto da sua vida, certifique-se de manter o seu cérebro feliz. Porquê? Porque a felicidade tem muito mais a ver com o cérebro do que à primeira vista imaginamos. Na verdade, sentir prazer é muito estimulante para o cérebro visto que está preparado para responder ao prazer de uma forma que reforça esse mesmo prazer. O seu cérebro oferece recompensas para dirigi-lo num caminho para a felicidade, e você pode oferecer recompensas ao seu cérebro, que fará com que este se vá refinando e moldando até desenvolver uma estrutura mental positiva promotora de bem-estar e felicidade.

Outras razões para querer desenvolver uma estrutura mental positiva:

felicidade

O PODER DOS PENSAMENTOS NEGATIVOS

Os nossos pensamentos orientam as nossas ações, e estas formam a nossa entidade, o mesmo será dizer que aquilo que pensamos regularmente faz de nós aquilo que somos. Não concordo com a máxima: que nós somos aquilo que pensamos, isto é demasiado radical. Prefiro dizer que nós somos os pensamentos que se materializam em ações, valores, desejos e ideais. Assim sendo todas as nossas ações são procedidas pelo nosso pensamento, ou mais concretamente pelo nosso padrão mental. Ainda que alguns dos nossos pensamentos (que nos passam pela mente) não nos definam, nem se encaixem na nossa personalidade. É por esta razão que nós somos muito mais do que aquilo que pensamos.

De qualquer forma quando pela força do hábito construímos uma estrutura mental demasiado rígida, esta pode causar-nos problemas, principalmente se tivermos demasiados pensamentos negativos e tóxicos. Os nossos pensamentos padrão sempre serão refletidos nas circunstâncias externas, porque as mudanças auto-geradas na nossa vida são sempre precedidas por mudanças na maneira de pensar sobre algo.

Dado que o nosso cérebro, a cada pensamento liberta substâncias químicas, se estiver focado em pensamentos negativos e tóxicos, efetivamente irá criar caminhos neurológicos desfavoráveis, desacelera o raciocínio, podendo eventualmente diminuir as habilidades de funcionamento e conduzir à depressão ou a outros transtornos psicológicos. Numa perspetiva oposta, o pensamento positivo, esperançoso, otimista e alegre, diminui os níveis de cortisol na corrente sanguínea e produz serotonina, o que cria uma sensação de bem-estar. Isso ajuda o funcionamento do cérebro a alcançar um máximo desempenho.

Informação técnica: Pensamentos capacitadores e pensamentos positivos, em geral, dão suporte ao desenvolvimento do cérebro, criando e reforçando novas sinapses, especialmente no córtex pré-frontal, que serve como o centro de integração de todas as suas funções do cérebro/mente.

Por outras palavras, o córtex pré-frontal não só regula os sinais que os seus neurónios transmitem para outras partes do cérebro e do corpo, ele permite que consiga pensar e refletir sobre o que você está fazendo fisicamente. Em particular, o córtex pré-frontal permite controlar as suas respostas emocionais através de ligações para o sistema límbico (unidade responsável pelas emoções). Permite ainda que consiga forçar-se naquilo que você quer e ficar ciente sobre os seus processos de pensamento. O córtex pré-frontal é a única parte de seu cérebro que pode controlar as suas emoções e comportamentos e ajudar a focalizar-se nos objetivos que pretenda atingir e perseguir. Ele ajuda-o a crescer como ser humano, mudar o que você deseja mudar, e viver a vida da maneira que você decide.

Como pode constatar, possuímos uma estrutura cerebral que está desenhada para suportar a mudança, e isto é extraordinário!

A reter: O córtex pré-frontal, é na verdade uma parte extraordinária do nosso cérebro. Permite-nos expressarmos a nossa liberdade de escolha.

OTIMISMO, UMA VIA PARA A SATISFAÇÃO E FELICIDADE

Os neurocientistas descobriram que as pessoas que têm uma disposição mais alegre e são mais propensas ao otimismo, geralmente têm maior atividade na parte esquerda do córtex pré-frontal. Curiosamente, os cientistas comportamentais observaram diferenças fascinantes entre otimistas e pessimistas. O Otimismo, por exemplo, envolve elevadas componentes cognitivas, emocionais, e motivacionais desejáveis. Pessoas otimistas tendem a ter melhor humor, tendem a ser mais perseverantes e bem sucedidas, e experimentam uma melhor saúde física. Um fator explicativo pode ser simplesmente que os otimistas atribuem os bons acontecimentos a si mesmos em termos de permanência, citando suas características e habilidades como a causa, e acontecimentos ruins como temporários (usando palavras como “às vezes” ou “recentemente”), ou a falha de outras pessoas . Além disso, os otimistas:

No reverso da medalha, as pessoas pessimistas explicam os acontecimentos bons, citando causas transitórias, como humor e esforço, e acontecimentos ruins como condições permanentes (utilizando palavras como “sempre” ou “nunca”). Além disso os pessimistas:

De acordo com Sonia Lyubomirsky, uma investigadora da Universidade de Califórnia e autora do livro: The How of Happiness, as pessoas infelizes passam horas comparando-se com outras pessoas, acima e abaixo na escala de felicidade, as pessoas felizes tendem a não comparar-se com ninguém.

A boa notícia é que você pode usar a sua mente para treinar o seu cérebro para conter os pensamentos negativos que levam ao pessimismo, incrementando formas de pensamentos positivos que levam ao otimismo. Você pode ser o mestre das mudanças neuronais que o conduzirá a uma maior felicidade, e começar a construir novos caminhos neuronais que permitirão uma reestruturação do pensamento e consequentemente a criação de uma estrutura mental positiva. Mesmo que a depressão seja algo comum na sua família, ou que você sofra dessa desordem à bastante tempo, você tem a capacidade de melhorar a forma como o seu cérebro funciona, de criar uma inclinação mental que aos poucos consiga ir diminuindo os padrões neuronais ligados a pensamentos negativos.

Dica: Se você ficar ciente que possui alguns traços de carácter mais vincados que o prejudicam, que tem uma predisposição para pensar negativo, ou que vê problemas e defeitos em grande parte das coisas e situações, é porque o seu córtex pré-frontal entrou em ação, permitindo-lhe desta forma estar alerta para exercer influência sobre esse padrão mental depreciativo e mudá-lo.

elixir da felicidade

PENSAMENTO NEGATIVO, SALDO NEGATIVO

O pensamento negativo diminui a coordenação do cérebro, o que torna difícil processar pensamentos e encontrar soluções. O sentimento de medo, que muitas vezes acontece quando nos focamos em resultados negativos, provoca uma diminuição de atividade no cerebelo retardando a capacidade do cérebro para processar nova informação, limitando a nossa capacidade prática para a resolução criativa de problemas. Além disso, o fator medo tem um impacto negativo no lobo temporal esquerdo, que afeta o humor, memória e controle dos impulsos.

O nosso lobo frontal, particularmente o córtex pré-frontal, decide o que é importante de acordo com a quantidade de atenção que prestamos em alguma coisa e como nos sentimos acerca disso. Assim, quanto mais você se concentra na negatividade, mais sinapses e neurónios do seu cérebro criará para suportarem o seu processo de pensamento negativo.

O hipocampo fornece o contexto de memórias armazenadas. O que quer dizer que o nosso estado de humor e a descrição que a mente elabora, pode potencialmente fazer disparar um determinado padrão mental (anteriormente estabelecido), reforçando as vias neuronais e sinapses. O que pensa e sente sobre uma determinada situação ou coisa pode tornar-se tão enraizada que você terá que trabalhar duro para desmantelar as conexões negativas e estabelecer novas ligações no seu cérebro, a fim de ter menos medo, a pensar positivo, acreditar que os sonhos podem tornar-se realidade, a confiar que os seus esforços serão bem sucedidos.

A reter: Mas difícil, não quer dizer impossível.

TREINE O SEU CÉREBRO PARA PENSAR POSITIVO

Uma das mais antigas convicções da neurociência tem sido de que os nossos processos mentais (pensamento) provêem da atividade cerebral: que o nosso cérebro é o responsável quando se trata de criar e moldar a nossa mente. Entretanto, a pesquisa mais recente mostrou que também pode funcionar no sentido inverso: que a atividade mental repetitiva, focada e intencional pode afetar mudanças na estrutura do seu cérebro, ligações e capacidades.

As ações que tomamos podem literalmente expandir ou contrair as diferentes regiões do cérebro, fazendo disparar circuitos neuronais ou inibindo-os. Quanto mais exigente você é nas tarefas solicitadas ao seu cérebro, mais promove a reorganização cerebral para lidar com novas tarefas. Ele responde, forjando ligações mais fortes em circuitos que sustentam o comportamento ou pensamento desejado e enfraquecendo as conexões inadequadas. Assim, o que você faz e o que pensa, vê ou sente reflete-se no tamanho das suas respectivas regiões cerebrais e nas ligações que o seu cérebro forma para acomodar as suas necessidades.

A reter: Na verdade, tudo o que é repetido muitas vezes torna-se num hábito, para o bom ou para o mau.

Mas o que significa tudo isto? Isto significa que o que pensamos, fazemos, e dizemos afeta aquilo em que nos tornamos, na parte externa, na interna, e no nosso cérebro. Especificamente, isto significa que você pode treinar o seu cérebro para ser mais positivo. E esta é uma possibilidade muito positiva!

Uma das formas de mudarmos a nossa estrutura mental no sentido de nos adequarmos melhor ao mundo ou aos desafios é mudando as nossas crenças, tal como expliquei nos artigos: Mude as suas crenças, evolua a sua mente parte I e parte II. A positividade e o otimismo andam de mãos dadas, mas para que isso possa tornar-se num hábito você tem de praticar, tal como expliquei no artigo: 5 passos para conseguir uma atitude positiva na vida. A técnica que suporta a grande maioria das alterações na nossa estrutura mental é a reestruturação do pensamento, como expliquei no artigo: Reestruturação do pensamento, faça perguntas capacitadoras . Agir em consonância com esses mesmos pensamentos escolhidos é o passo seguinte para ser bem sucedido, como pode observar na descrição feita no artigo: Abandone a preocupação, passe à ação.

Dica: Comece por pensar pensamentos capacitadores e otimistas, olhando pelo lado positivo, construtivo e realista, e reoriente a sua mente quando os pensamentos negativos ocorrem. A sua mente tem a capacidade de determinar como o seu cérebro pensa sobre o que acontece na sua vida. Use-o para sua própria vantagem, reestruturando acontecimentos e pensando positivo.

mude a sua historia

Mude a sua história: Se está insatisfeito, faça algo de diferente


Todos os dias temos conversas incessantes connosco mesmos. Dizemos a nós mesmos quem somos, o que devemos fazer, como devemos reagir e qual é a nossa missão ou objetivo. Esta comunicação intrapessoal governa as nossas vidas e afeta o nosso bem-estar geral. Quando as coisas que nos acontecem são boas e especialmente quando alcançamos o sucesso, o diálogo interno é muito provável que seja positivo e ajuda a mover-nos para a frente. Mas o que dizer quando as coisas não estão indo de acordo com aquilo que desejamos ou perspetivamos?

O que acontece quando olhamos para trás, fazemos uma avaliação da nossa vida e concluímos que sentimos uma enorme insatisfação? É nestes momentos que precisamos reavaliar as conversas internas e monitorizar o que estamos dizendo a nós mesmos. Temos de perceber que tipo de mensagens estamos implementando em nós, e que efeito estão a ter na nossa vida.

A canção de António Variações, “Muda de Vida”, expressa a mensagem que vos quero transmitir:

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens… que ser assim

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens… que ser assim

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti a latejar

EM CONSTANTE MUDANÇA

A mudança não é algo que nos separa, que nos estilhaça, que nos faz perder a noção das coisas, a mudança é algo que está ligado ao desenvolvimento, ao crescimento, à criação. É a vida a desabrochar em pleno. A mudança não é uma quebra no fluxo da nossa vida, é o fluxo em si mesmo. A mudança não é um desvio de direcção, é a própria direcção na qual a nossa vida se movimenta e ganha sentido. A mudança não é uma alteração das condições e circunstâncias das nossas vidas, é a condição e circunstância das nossas vidas. Se olharmos para o passado longínquo, se olharmos para a evolução do Homem ao longo dos tempos, observamos que sem mudança a própria vida não existiria, pois a vida é movimento, e o movimento é mudança por definição.

Reflexão: A questão não é, portanto, se a nossa vida conterá mudança, mas que tipo de mudança conterá a nossa vida.

Seja mudar uma circunstância de vida, um hábito ou um pensamento, será tanto melhor quanto mais envolvimento nosso existir. Se aceitarmos a mudança como algo natural, se aceitarmos a mudança como algo bom, libertamo-nos para a podermos abraçar sem resignação, entraves ou traumas. A noção que cada um tem acerca da mudança, da capacidade de se mudar a si próprio ou às circunstâncias da sua vida, irá ditar o grau de sucesso que obtém, quando o momento de mudar for imperativo.

COMO É QUE POSSO MUDAR?

Durante a última década dediquei-me ao assunto que gira em torno da mudança, da mudança de hábitos, da mudança de comportamentos. Porque é tão difícil mudar, porque é tão difícil mudar rotinas, gostos, pensamentos, vontades? E porque razão, quando queremos mudar algo, não conseguimos? Quando prometemos a nós próprios iniciar um novo hábito mais saudável, encontramos todos os obstáculos para não o realizar.

Estamos na presença do fenómeno: MUDANÇA

O que apresento neste artigo é uma compilação de conceitos, dicas e estratégias em que pretendo transmitir a possibilidade que cada um de nós tem para mudar, para mudar o rumo da nossa história. A vontade própria expressa na força de vontade e auxiliada pela auto-disciplina fornece-nos a possibilidade concreta e real que cada um de nós possui para implementar uma estrutura mental positiva e mudar a sua história, mudar para uma atitude positiva e capacitadora. E isto é extraordinário, é uma luz de esperança.

PAPÉIS SOCIAIS

A teoria de papéis sociais é uma perspectiva na psicologia social, que considera a maioria da atividade diária como uma representação de categorias socialmente definidas (por exemplo, a mãe, gerente, professor). Cada papel social é um conjunto de direitos, deveres, expetativas, normas e comportamentos que uma pessoa tem de enfrentar e cumprir.

A teoria de papéis sociais afirma que há muitas “personagens” que representamos ao longo da vida. Alguns destes papéis nascemos com eles (por exemplo, relações familiares) e outros que aceitamos de bom grado (casamento, trabalho, amizades). Outros são impingidas em cima de nós, como os estereótipos, ou quando somos pressionados a competir. Independentemente do tipo, as normas sociais muitas vezes ditam que aceitemos esses papéis e em conformidade com certos padrões de comportamento que os definem.

Como já referi, Isso é ótimo quando você está a “ganhar” e tudo corre pelo melhor. No entanto, o que dizer quando o seu processo de pensamento e os papéis que você representa estão esmagando e aniquilando o seu bem-estar? Muito provavelmente, isso pode acontecer porque se deu uma cristalização de todos esses papéis à sua personalidade, e esta deixou de ser adaptativa e funcional, tornou-se conformista. Você confundiu a representação de papéis com aquilo que você julga ser. Na verdade o problema começa aqui, tal como expliquei no artigo: Desapegue-se da sua personalidade, aprenda a desempenhar um papel.

MUDE A SUA HISTÓRIA

Examine o que você está dizendo a si mesmo. O que você aceitou, está aceitando e aceitará no futuro é baseado na noção que você tem de si mesmo (em quem pensa que é). Para mudar isso, você tem que conscientemente alterar a história de quem você pensa que é para implementar o conceito de quem você quer ser. E então agir em conformidade. Tal como expliquei no artigo: Que tipo de pessoa você quer ser?

Isto nem sempre é fácil, porque, muitas vezes, o nosso estilo de vida e as situações do dia-a-dia vam-nos moldando, vam-nos condicionando. Por vezes deixamos de fazer algumas coisas à medida que vamos avançando na vida. Depois do liceu ou faculdade, normalmente deixa-se de praticar esportes ou tornamo-nos menos ativos. Quando entramos num relacionamento muitos de nós paramos de fazer as coisas que sempre fizemos para agradar ao outro (não que necessariamente seja um problema). A pessoa pode ter tendência ao desleixe, e não considerar mais a necessidade de sentir-se “sexy”. Da mesma forma, num determinado ponto da sua carreira pode pensar, ”Isto é o melhor que posso fazer” ou “É tarde demais para fazer outra coisa.” Lentamente, começamos a pensar como nós acreditamos que uma pessoa no nosso “papel” é suposto pensar e agimos em conformidade.

No entanto, quando você começar a contar para si mesmo uma história diferente, então essas ideias começam a mudar. Ao adotar um novo papel ou uma maneira diferente de olhar para a sua vida, você pode implementar novos padrões que podem melhorar a sua qualidade de vida.

Dica: Se as circunstâncias atuais não são do seu agrado, mude a sua história e as suas circunstâncias mudarão também.

PROCESSO PARA A MUDANÇA POSITIVA

Suponha que você tem o mau hábito de pensar demais sobre os mesmos pensamentos negativos. E suponha que não há nenhuma manifestação externa física associados a esses pensamentos. É apenas o pensamento negativo, como “Eu estou tão deprimido” ou “Eu odeio o meu trabalho” ou “Eu não posso fazer isso” ou “Eu odeio ser gorda.” Como pode você suprimir um hábito ruim, quando é inteiramente gerado pela sua mente ?

Há realmente um grande número de formas de descondicionar um padrão de pensamento negativo. A ideia básica é substituir o padrão antigo por um novo. Elementar não é? Mas qual a melhor forma de fazê-lo eficazmente?

Começo por dizer-lhe como não deve fazê-lo. Não deve esforçar-se por resistir ao pensamento negativo, isso é um tiro que lhe sairá pela culatra, pois só irá reforçá-lo ainda mais e aumentar o seu efeito. Quanto mais cismar nesses pensamentos, mais os caminhos neurológicos se reforçarão, mais solidificará os padrões de pensamentos para a desgraça. Então, o que fazer na prática?

Em vez de tentar resistir ao padrão de pensamento negativo, você deve redireccioná-lo. Pense nisso como uma técnica mental, uma técnica de redireccionamento da atenção. Imagine que o pensamento negativo chega até si como se fosse uma imagem ou fala de banda desenhada dentro de um balão, lê o seu conteúdo e verifica que não lhe serve, “eu sou um idiota”. O que deve fazer em seguida é criar uma nova fala ou imagem, esta fala segue os seus objetivos, segue aquilo que pretende que aconteça e não aquilo que teme.

O passo seguinte é passar à ação, executando aquilo que criou. Neste exato momento pode emparelhar um condicionamento de mudança, ou seja sempre que tiver a noção que está a ter um pensamento negativo, automaticamente começará a fluir para a construção de um pensamento positivo. É semelhante aos cães de Pavlov que aprenderam a salivar quando o sino tocava.

A reter: O problema não está em ter pensamentos negativos, mas sim em segui-los, temê-los ou não conseguir criar outros mais capacitadores e positivos.

Veja como funciona a técnica de redireccionamento da atenção:

PASSO 1: Transforme o pensamento negativo numa imagem mental

O objetivo é criar uma imagem real o mais aproximado possível daquilo que pensa no sentido de perceber o absurdo que pode estar a pensar. Pegue nessa vozinha depreciativa, e transforme-a numa imagem mental correspondente. Por exemplo, se o seu pensamento é: “Eu sou um idiota”, imagine-se vestindo um chapéu de burro, vestidos tolos, e pulando como uma idiota. Veja-se cercado por todas as outras pessoas apontando para você, enquanto você grita: “Eu sou um idiota.” Quanto mais você exagerar na cena, melhor. Ensaie mentalmente até chegar ao ponto em que o pensamento negativo automaticamente traga à tona essa imagem pateta.

Lembro-me que quando estive nos Fuzileiros (tropa de elite), e na situação de deixarmos “roubar” a arma pelos superiores, o recruta era obrigado a andar durante 30 minutos com a arma acima da sua cabeça e de braços esticados emitindo o seguinte cântico: “Sou tolinho, deixei roubar a arma”. Certamente passando por embaraço, o recruta implementava um condicionamento muito vincado no sentido de trabalhar em estratégias que lhe recordassem que ter os olhos na arma era importante em qualquer circunstância.

O mesmo se aplica aos pensamentos negativos e depreciativos, se perceber o quão insensato está a ser para consigo mesmo e o quanto isso o prejudica, ao visualizar essa imagem depreciativa na sua cabeça, rapidamente percebe que deve mudar para uma mais positiva e construtiva ou certamente se não o fizer estará em apuros, tal qual o recruta fuzileiro.

Se você tiver problemas para visualizar, também pode fazer o descrito acima de forma auditiva. Traduzir o pensamento negativo num som, como uma canção que você entoa. Execute o mesmo processo com som em vez de imagens. Funcionará de qualquer maneira.

PASSO 2: Seleccione um pensamento capacitador de substituição

Agora decida que pensamento quer pensar e que lhe possa ser útil ao invés do pensamento negativo. Então, se você estiver pensando, “eu sou um idiota”, talvez você possa substituir por “eu consigo ser eficaz.” Escolha um pensamento que lhe dê poder de tal forma que consiga romper o efeito depreciativo e negativo do pensamento original.

PASSO 3: Transforme o pensamento positivo numa imagem mental

Em seguida execute o mesmo processo que você usou no Passo 1, para criar uma nova cena mental do pensamento positivo. Assim, com o exemplo “eu consigo ser eficaz”, você pode imaginar-se de pé, adotando a posição do Super Homem com as mãos nos quadris. Imagine-se a absorver energia e a colocá-la na ação ou objetivo que pretende realizar, dizendo para si “eu sou eficaz”. Mais uma vez, repita mentalmente a cena, até que accionando o pensando positivo automaticamente traga à tona as imagens capacitadoras associadas.

PASSO 4: Mentalmente funda as duas imagens em simultâneo

Agora pegue as imagens do Passo 1 e Passo 3, e mentalmente funda-as em simultâneo. Este é um processo de condicionamento por associação. O que prendendo que faça é simplesmente associar as imagens e/ou pensamentos negativos com as imagens e/ou pensamentos positivos, no sentido de criar um gatilho que faça disparar uma imagem para outra. Ou seja, para que sempre que se forme pensamentos e imagens negativas ou depreciativas que possam comprovar-se destrutivas, automaticamente o gatilho criado por associação faça disparar o conjunto de imagens positivas previamente escolhidas e criadas por si. Este exercício permite ir reforçando uma estrutura mental capaz de detetar imagens e pensamentos que não lhe servem e automaticamente mudar para um padrão mental mais capacitado, construtivo e positivo.

Depois de ter toda a cena trabalhada, ensaie-a mentalmente até que a mudança se processe rapidamente. Reproduza toda a cena uma e outra vez até que você possa imaginar tudo em 2 ou 3 segundos. Deve ser muito rápido, muito mais rápido do que você vê no mundo real.

PASSO 5: Experimente

Agora você precisa testar o redireccionamento mental para ver se funciona. É um pouco como redireccionar uma página da Internet, quando você introduz o URL antigo (morada errada), a sua mente deve automaticamente redireccionar para a correta (positiva). Ao iniciar o pensamento negativo deve rapidamente emergir o pensamento positivo. O pensamento negativo é o estímulo que faz com que a sua mente execute todo o padrão automaticamente. Assim, sempre que pense, “eu sou um idiota”, mesmo sem estar plenamente consciente disso, mudará o seu padrão pensando: “eu consigo ser eficaz”.

Se você nunca fez visualizações como esta antes, pode demorar largos minutos até que consiga implementar todo o processo. Não desespere, mantenha-se firme. A rapidez vem com a prática. Todo o processo, depois de devidamente treinado pode literalmente ser feito em segundos. Não deixe que a lentidão das primeiras tentativas o desanimem. Esta é uma habilidade que pode ser aprendida como qualquer outra, e provavelmente vai sentir-se um pouco estranho na primeira vez.

Eu recomendo que experimente com diferentes tipos de imagens. Você encontrará provavelmente algumas variações mais eficazes que outros. Preste especial atenção à associação versus dissociação. Quando você está a fazer uma associação numa cena, você está imaginando vê-la com os seus próprios olhos (ou seja, tem uma perspectiva na primeira pessoa). Quando você está a fazer uma dissociação você está imaginando a ver-se na cena (ou seja, tem perspectiva na terceira pessoa).Você pode gostar e obter melhores resultado numa ou noutra ou em ambas. Depende em qual se sente mais confortável ou das situações imaginadas.

A minha experiência:

No meu dia-a-dia faço muitas vezes condicionamento mental. Sempre que eu percebo que estou a ter um pensamento negativo que não me serve ou que me impede de alcançar algo, redirecciono-o. Eu uso o condicionamento mental para redirecciconar os pensamentos de dúvida para uma mentalidade mais capacitadora.

Este tipo de condicionamento mental permite-me gerir mais conscientemente os meus estados internos. Tomar decisões em consciência e ter uma noção clara de que a qualquer momento posso mudar algo que percebo como prejudicial, negativo ou ultrapassado.

Fui internalizando a técnica de redireccionamento da atenção, e com a prática facilmente consigo mudar alguns padrões menos favoráveis que pontualmente teimam em surgir. Por isso quando tenho um pensamento do género: “Eu não consigo” rapidamente redirecciono para “O que posso fazer para conseguir”.

Dê uma chance a este processo da próxima vez que você perceba que está a ser invadido por um pensamento negativo e depreciativo. Certamente irá comprovar o quão poderoso ele é. E sinta-se livre para compartilhá-lo com outras pessoas que possam estar a enfrentar os mesmos problemas.


PROGRAME A MUDANÇA

Se você já leu até aqui, pode já ter decidido mudar alguns aspectos da sua vida. Você estás de parabéns! Às vezes, a consciência em si pode ser uma mudança de vida. No entanto, para criar uma verdadeira mudança é preciso mais do que apenas saber o que fazer, é preciso fazer, experimentar e verificar o que funciona.

Em seguida apresento mais um conjunto de ferramentas e técnicas psicológicas para desenvolver ou remover hábitos, comportamentos, crenças e traços de personalidade:

SOBRE A MUDANÇA

Você quer melhorar os seus relacionamentos, saúde, riqueza e bem-estar? O auto-aperfeiçoamento em todas essas áreas requer mudança. Não apenas conhecimento novo, mas implementar padrões de novos hábitos de pensamento e comportamento. Para melhorar a sua vida você tem que estar disposto a mudar alguns aspectos de si mesmo. Se o que você tem feito até agora não lhe permitiu obter os resultados que quer, então algo tem de mudar, e nada vai mudar até que você faça alguma coisa. Muitas pessoas mantêm uma forte crença sobre o seu ”verdadeiro eu” o que pode ser muito limitante, porque lhes permite justificar as suas falhas e, assim, manterem-se paralisados no seu crescimento e desenvolvimento pessoal.

A verdade é que você pode mudar praticamente qualquer aspecto de si mesmo com as técnicas corretas. O que leva tempo é conduzir-se a si mesmo para o ponto onde finalmente decide fazer o que for preciso para que a mudança aconteça.

Para aprofundar este assunto, pondere ler o artigo: Quer ter sucesso? Mude-se a si próprio

PADRÕES DE INTERRUPÇÃO

Quando encontramos um comportamento que funciona, tendemos a ficar agarrados a ele e repeti-lo automaticamente sempre que uma situação semelhante vem à tona. Isso é chamado de padrão de hábito, e é suportado por uma série de ações físicas ou mentais que realizamos habitualmente. Estes padrões de hábito simplificam tremendamente as nossas vidas, deixando-nos dirigir carros ou realizar acrobacias complexas sem nós sequer termos que pensar sobre isso, mas algumas também podem ser improdutivas ou limitadoras. Muitos de nós executamos padrões que estão desatualizados. Por exemplo, podemos ter um ataque de pânico quando vemos uma aranha, temos de fazer um teste ou um discurso. Podemos sentir vergonha de morte se cometermos um erro ou se alguém ri de nós, ou então podemos ter padrões de pensamento específico que ativamos sempre que estamos com raiva, preocupados, deprimidos ou com medo, essa espiral vai-se enraizando cada vez mais na negatividade.

Para quebrar um padrão de hábito limitador ou destrutivo, você pode usar uma interrupção padrão. Uma interrupção padrão é algo (movimento, som, gesto) que você executa de forma a desafiar totalmente o padrão antigo e, portanto, rompe-lo. Reserve um momento agora para pensar nas suas próprias maneiras agradáveis de quebrar os seus padrões limitantes e escreva pelo menos cinco. Pode ser qualquer coisa que interrompa o padrão estabelecido. Algo físico, como um gesto (por exemplo, fechar o punho), ou uma mudança na fisiologia, ou algo na sua mente, como uma frase no ouvido da sua mente (verbalização silenciosa) ou uma visualização na sua mente. Faça isso!

Da próxima vez que você ficar ciente de que está para desencadear ou a iniciar um padrão limitador, use uma dessas interrupções para pará-lo e permitir-se a si mesmo a escolher como responder adequadamente, em vez de apenas reagir como habitualmente. Cada vez que você interromper um padrão, ele torna-se mais difícil de manifestar-se, e eventualmente irá perdendo a força. Esta associação vai ficando registada no seu padrão mental de resposta perante pensamentos destrutivos, o que facilita a ignição de padrões de resposta mais adequados, e pouco a pouco, pode até levar à extinção do aparecimento de grande parte dos hábitos de pensamentos limitadores e negativos.

Para demonstrar o uso de padrões de interrupção, escolha um padrão negativo que você faça habitualmente, por exemplo, um vício. Já escolheu? Ótimo. Então, para registar a interrupção desse padrão, tome consciência do seu dedo indicador e médio e faça uma ligeira fricção na palma da mão. Enquanto você faz isso imagine-se executando o seu novo pensamento, atitude ou ação e foque-se no sentimento que você tem ao realizar isso. Você vai notar que o sentimento de necessidade vai enfraquecendo e torna-se cada vez mais difícil efectuar o vício. O friccionar dos dedos na palma da mão funciona como uma âncora que o relembra daquilo que pretende fazer sempre que sente a necessidade de realizar o vício que pretende extinguir.

Continue executando o padrão de interrupção durante alguns minutos ou até que não sinta mais vontade de executar o seu vício. O padrão antigo vai assim enfraquecendo. Continue aplicando o padrão de interrupção, de forma a que quando o padrão negativo se manifestar seja quebrado cada vez mais rápido, até que desapareça completamente.

Agora você possui uma técnica extremamente poderosa que pode devolver-lhe o controle sobre alguns aspectos da sua vida, por exemplo, ajudando-o a remover os desejos tóxicos, fobias, medos, raiva, ansiedade e vícios, como fumar ou beber, ou qualquer outra coisa que você sinta que está fora do seu controle.

PADRÕES DE CONDICIONAMENTO

Ter um conjunto de interrupções padrão é ótimo para inibir comportamentos não desejados e desadequados, mas para criar uma mudança permanente você tem que substituí-los por novos padrões capacitadores. Isto também exige que você se convença da importância e da urgência da mudança, porque a razão pela qual você não faz a mudança é porque tem sentimentos mistos (antagónicos) sobre o assunto. A sua dor e escala de prazer é ponderada na direção errada.

Para lidar com isso vamos olhar para simples, mas poderosas técnica em 4 etapas para criar uma mudança duradoura:

VISUALIZAÇÃO

A capacidade para formar imagens mentais precisas e claras acerca das coisas que queremos ser, ter ou fazer, e manter essas imagens claramente na nossa mente, é uma ferramenta muito poderosa para melhorar as nossas vidas. Usando a visualização podemos motivar-nos para as nossas metas, mudar o nosso estado, restaurar a nossa energia, melhorar a nossa performance, desenvolver novas habilidades e formar novos hábitos. Relembro-o que esta habilidade foi utilizada anteriormente na aplicação da técnica de redireccionamento da atenção.

As quatro chaves para a visualização são: frequência, intensidade vivacidade e duração. Quanto mais vezes você visualizar, mais emoções conseguirá associar, quanto mais claro você conseguir ver a imagem e quanto mais tempo você conseguir manter isso em mente, mais rápido e mais profundo irá ser incorporado na sua estrutura mental. É importante relembrá-lo que a nossa mente subconsciente não sabe a diferença entre um acontecimento verdadeiro e um evento vividamente imaginado, e se você imaginar algo bastantes vezes, a sua mente subconsciente vai aceitá-la como sendo verdadeira.

A visualização pode ajudar-nos em muitas áreas das nossas vidas e nós já verificámos e aplicámos alguns dos seus usos ao longo do artigo, mas para esclarecer, deixo uma lista das suas áreas mais importantes:

AFIRMAÇÕES

As palavras mais poderosas do mundo são as palavras que você diz para si mesmo. As afirmações são verbalizações de comando que você diz em voz alta para si mesmo com emoção, e são accionadas na sua mente subconsciente como novas instruções de operação. Estes comandos acabam por ser aceites na sua estrutura mental e fará com que os seus pensamentos e comportamentos sejam consistentes com eles. Você pode criar afirmações para qualquer objetivo ou crença que você pretenda, e as únicas regras a levar em consideração é que têm de ser positivas, pessoais e no tempo presente. Por exemplo: Eu sou disciplinado, eu gosto de mim, eu amo a minha vida, eu sou responsável, eu sou saudável, eu sinto-me ótimo, eu sou um génio, eu sinto-me feliz, eu sou o melhor, estou confiante, eu posso lidar com qualquer coisa, eu estou interessado em muitas coisas, estou feliz por estar vivo, eu uso bem o meu tempo, eu faço o exercício diário.

Você pode criar as suas próprias afirmações, ou seleccionar algumas das anteriores que gostaria que se tornassem realidade, e depois escrevê-las para si. Em situações de difíceis, de desafio de superação ou de obstáculo, repita-as algumas vezes, até que se torne absolutamente convencido de que elas são verdadeiros e você comece a agir em conformidade. Quando accionar essas afirmações (verbalizações) para si mesmo, preste especial atenção às imagens que surgem na sua mente. Especialmente, visualize-se na sua mente sendo a pessoa que você está descrevendo, como se a afirmação já se tivesse tornado realidade.

Atenção, isto pode não funcionar. Não basta afirmar essas verbalizações. Isso pode sair-lhe pela culatra. O seu subconsciente pode rejeitar as suas declarações, porque entram em conflito com a sua atual auto-imagem, mas com consistência suficiente e dedicação as suas crenças acabarão por mudar e o seu comportamento passar a ser conforme. Você pode fazer as afirmações habituais, visualizando-se a tê-las em ocorrências diárias, por exemplo, depois de acordar, antes do almoço e antes de ir dormir. Para potenciar o seu impacto pode afirmar em voz alta.

Para aprofundar este assunto, pondere ler os artigos: Mude as suas crenças, evolua a sua mente – Parte I e Parte II

AGIR COM SE FOSSE

Esta técnica pode ser usada para implementar e capacitar qualquer traço de personalidade, mudança ou habilidade. Simplesmente só tem de agir como se tivesse a característica que você gostaria de ter, e então projetar e criar os sentimentos e pensamentos que sejam consistentes com aquilo que deseja. Agindo da mesma forma que pessoas felizes, auto-confiantes e bem sucedidas, muito provavelmente irá começar a sentir os mesmos estados. Eventualmente, a sua auto-imagem e auto-estima irão melhorar e os comportamentos positivos tornar-se-ão espontâneos e naturais. Em termos simples, você simula e representa algo até que lhe surja de forma natural. Você pode superar medos, agindo corajosamente. Você pode ganhar habilidades de liderança, agindo como um líder. Com o tempo essas ações deixaram de ser encenadas e passam a pertencer-lhe.

CONCLUINDO

A mudança é uma constante na nossa vida. No entanto, o processo de aprendizagem é paradoxal, se por um lado para aprendermos algo temos de torná-lo num hábito, por outro, para mudar-mos esse mesmo hábito temos de lutar contra o processo inicial de reforço instituído. Por tudo isto o processo de mudança é algo inerente a nós mesmos, mas ao mesmo tempo somos tremendamente resistentes a esse mesmo processo de mudança. Com isto em mente, o esforço para mudar ou para suprimir um velho hábito, implementar um novo ou reforçar uma nova aprendizagem tem de ser um processo consciente, deliberado, motivado e dotado de conhecimento prático.

Fico esperançado que com as estratégias, esclarecimento, dicas e técnicas apresentadas que o processo de reverter um padrão negativo de pensamento seja mais facilitado e eficaz. A bola está do seu lado. Boa mudança se for o seu caso.

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aproveite o seu medo

Aproveite o seu medo para atingir os objetivos desejados


O medo é um sentimento incapacitante, pode chegar a ser aterrador, inviabiliza os nossos movimentos e ações no dia-a-dia e pode transformar a nossa vida num inferno. Enfrentá-lo é combatê-lo. No entanto o medo mobiliza uma enorme quantidade de energia, recruta uma quantidade grande de recursos, prepara-nos para a luta ou para fugir, e isto é certamente benéfico. Se conseguirmos aproveitar essa energia e focá-la para alcançarmos um objetivo, conseguimos tirar proveito daquilo que à partida parecia ser um sentimento inibidor. Se agregarmos ao medo uma dose de coragem, um fenómeno extraordinário toma conta de nós, dá-se uma explosão de ações face à coisa temida ou ao nosso objetivo. A energia é assim canalizada a nosso favor, seja por fugirmos a uma situação que podia constituir um ameaça ou por decidirmos enfrentá-la.

O general George Patton disse: “O medo mata mais pessoas que a própria morte.” A morte só nos leva a melhor uma vez na vida, no entanto o medo pode consumir-nos uma e outra vez, de forma subtil algumas vezes e de forma abrupta de outras. Mas, se continuamente evitamos os nossos medos, ele irá perseguirmos tal como um cão enraivecido. Medo, livre-se dessa sensação incapacitante. A pior coisa que podemos fazer é fechar os olhos e fazer de conta que ele não existe.

O medo e a dor , devem ser abordados como sinais, como uma fonte de informação, não para nos toldar o raciocínio e/ou inibir mas sim para trazer clarificação e discernimento. Se nos inibirmos podemos acabar no lado mais sombrio da nossa zona de conforto, ficamos paralisados de medo, afetando a nossa vida nas mais diferentes áreas.

ter medo

O medo pode ser um grande motivador, ou um bloqueador na nossa vida. Porque, muitas vezes estabelecemos as nossas próprias limitações, estes bloqueios e obstáculos podem realmente ser uma coisa boa. Podem alertar-nos para tomarmos atenção e sermos cautelosos, e podem levar-nos a analisar ou não se o que estamos fazendo é certo para nós. No entanto, por vezes um bloqueio no nosso caminho pode precisar ser derrubado para que nós possamos crescer. Superar um bloqueio ou obstáculo na vida dá-lhe uma experiência de aprendizagem que você não pode obter de outra forma. Decidir a agir e seguir em frente é o primeiro passo para libertar-se de tudo o que o limita e prende.

Mas o que fazer se você sente que não pode tomar uma atitude? Às vezes não nos sentimos capacitados para avançarmos de cabeça. A tarefa pode parecer-nos muito exigente e pouco familiar. Superar o medo é um grande libertador, tal como aquilo que nos prende é bastante angustiante, funcionando como uma âncora que nos amarra ao caís.

Em seguida apresento 5 maneiras que podem ajudá-lo a superar os seus medos e conseguir alcançar o que tanto deseja. Use-os para capacitar-se para fazer a mudança, e você vai sentir-se mais leve, mais energizado, mais relaxado e confiante.

1. DAR PEQUENOS PASSOS

Sente medo dos desafios, de propor-se a enfrentar alguns dos obstáculos que o impedem de obter o que deseja, de se propor a algo que mexa consigo? Tente quebrar esse grande monstro através de pequenos passos, de pequenas etapas de cada vez. Não começamos na vida por sermos campeões olímpicos ou concorrer à presidência, mas podemos trabalhar até obtermos essas coisas. Tem medo de pedir ao seu chefe que acha que merece um aumento? Comece por ir ao encontro daquilo que julgue já poder obter e realizar com relativa facilidade, em seguida, desafie-se por elevar a fasquia a cada dia.

Decida-se hoje mesmo a agir e perceba a diferença que que isso tem na sua vida. O medo do fracasso é um dos maiores medos que podemos ter. O medo do fracasso está intimamente relacionado com o medo da crítica e o medo da rejeição e de poderem vir diminuir a sua auto-estima. O medo é um terrível inibidor. E o processo de encarar os desafios pouco a pouco, passo a passo, com pequenos incrementos à medida que a confiança aumenta é uma fórmula que pode efetivar-se como sendo eficaz.

Para aprofundar este assunto, pondere ler o artigo: Um pequeno passo pode mudar a sua vida – The kaizen way

2. VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO

Grande parte dos seus medos são partilhados por muitas outras pessoas. O seu medo é o meu medo. O medo é um sentimento inerente a todos os seres humanos. Senti-lo é um privilégio, obedecer-lhe na grande maioria das vezes é uma tormenta. Evite movimentar-se ou não (evitar) em função do seu medo.

3. PROCURE SUPORTE DE ALGUÉM DA SUA CONFIANÇA

Encontre um amigo que você possa confiar e fale com ele cerca do seu medo e peça-lhe ajuda. Certifique-se se é uma pessoa solidária que não vai julgá-lo e não tem interesse no resultado que você deseja alcançar.

4. PROPONHA-SE A APRENDER

Muitas vezes temos medo do desconhecido mais do que qualquer outra coisa. Neste caso, procure familiarizar-se com o assunto ou situação, a recolha de informação pode ajudar a sentir-se mais confiante e achar a tarefa a realizar menos intimidante. Com a informação à distância de um clik, seja qual for o assunto, há uma maneira de aprender sobre isso. Tome a vida nas sua mãos e procure aquilo que necessita para ser bem sucedido.

5. VISUALIZE

Quando as crianças brincam “fazem crer”, que estão realmente enfrentando medos. Eles fingem que estão em território totalmente desconhecido, fazendo coisas estranhas, mas colocam-se no controle total sobre o que acontece na sua história. Usar esta mesma técnica, usando a sua própria imaginação para criar o resultado que você deseja é um ótimo recurso disponível a todos nós. Chama-se visualização.

A técnica de visualização é muito utilizada pelos atletas como complemento do seu treino físico, no sentido de melhorarem alguns aspetos técnicos e táticos. O cérebro não percebe a diferença entre cenários reais e imaginados, utilizando os mesmos circuitos neuronais e motores. Assim sendo, se visualizar-se a si mesmo a implementar algumas mudanças na sua vida e repetir isso mentalmente, está a criar novas ligações e caminhos neuronais para a execução daquilo que pretende alcançar.

Um grupo de jogadores de basquetebol, praticou mentalmente o exercício de mandar a bola ao cesto. Quando voltaram ao ringue, os seus lançamentos tinham melhorado.

Imagine-se a ultrapassar as suas dúvidas ou dificuldades e depois coloque-se no seu estado ideal (com confiança) e execute as ações que treinou mentalmente. Treine o mesmo cenário várias vezes na sua mente até que o sinta e faça parte de si. Veja-se a si mesmo a superar os seus medos, desafios e obstáculos. Agora faça isso!

medo

SUPERE O FRACASSO FAZENDO COISAS

O medo do fracasso é um dos maiores medos que as pessoas têm. A lei do feedback, afirma: não há fracasso, há apenas feedback. Há apenas resultados. As pessoas bem sucedidas olham para os erros como resultados, e não como fracasso. As pessoas com medo do fracasso olham os erros como permanentes e pessoais.

Citação: Buckminster Fuller escreveu, “O que quer que os seres humanos aprenderam teve que ser aprendido como consequência apenas de julgamento, experiência e erro. Os seres humanos aprenderam somente através de erros. “

Siga os passos que se seguem para superar o seu medo do fracasso através da ação:

PASSO 1:

Tome uma atitude. Execute uma ação decisiva e ousada. Faça algo assustador. O medo do fracasso imobiliza-nos. Para superar esse medo, você deve agir. Quando você agir, aja com ousadia.

A ação dá-lhe o poder de mudar as circunstâncias ou a situação. Você tem que superar a inércia fazendo algo. Faço-lhe a seguinte pergunta: ”O que você faria se soubesse que não poderia falhar?” O que você poderia alcançar? Seja corajoso faça algo. Se não funcionar do jeito que você quer, então faça outra coisa. Mas faça alguma coisa agora.

PASSO 2:

Seja persistente. As pessoas bem sucedidas simplesmente não desistem com facilidade. Elas continuam tentando diferentes abordagens para alcançar os resultados desejados, até obterem os resultados que querem persistem focados no seu alvo. As pessoas sem sucesso tentar uma coisa que não funciona e depois desistem. Muitas vezes as pessoas desistem quando estão no limiar de sucesso. Desistem prematuramente.

PASSO 3:

Não personalize a falha. O fracasso gira em torno do comportamento e dos resultados. O fracasso não é uma característica da personalidade. Embora por vezes você não atinga o resultado que queria, isso não significa que você é um fracassado. Porque você cometeu um erro, não significa que você é um fracasso.

PASSO 4:

Faça as coisas de forma diferente. Se o que você está fazendo não está funcionando, faça outra coisa. Há um velho ditado, “se você fizer sempre o que tem feito, irá obter o que sempre tem obtido. Se você não está obtendo os resultados que quer, então deve fazer algo diferente. Algumas pessoas deixam de continuar a fazer as coisas que necessitam ser feitas, e isso é a garantia para não serem bem sucedidos.

PASSO 5:

Não seja demasiado duro consigo mesmo. Se nada funcionou, lembre-se que o fracasso é um julgamento ou avaliação do seu comportamento. Olhe para o fracasso como um evento ou um acontecimento, não como uma pessoa.

Abraço